Marcio Beck

MarcioBeck

NOME: Marcio Beck
IDADE: 36
CIDADE E ESTADO EM QUE VIVE: Miami Beach, Florida (EUA)
FORMAÇÃO: Jornalista, editor de conteúdo web, revisor e tradutor
ATUAÇÃO NA CERVEJA: Criador e editor dos blogs “A Volta ao Mundo em 700 Cervejas” (inativo) e “Dois dedos de colarinho” (atual), cervejeiro caseiro (bissexto) e palestrante.
BLOG/SITE: http://oglobo.com.br/blogs/doisdedosdecolarinho
TWITTER: http://twitter.com/colarinho_globo
FACEBOOK: não informou
INSTAGRAM: http://instagram.com/marcio_beck

***

1) Melhor Ale produzida no Brasil
Penedon Casa de Pedra Wood Aged. Impressionante trabalho do Sergio Buzzi, do brewpub Penedon, em Penedo (RJ). Deliciosa e facílima de beber.

1a) Melhor IPA produzida no Brasil
Amara, da cervejaria niteroiense Noi. Receita do cervejeiro Leonardo Botto, perfumada e amarga, mas com uma profunda base de malte para equilibrar.

1b) Melhor Weissbier produzida no Brasil
Fraga Weiss. Leve, refrescante e saborosa.

2) Melhor Lager produzida no Brasil
Bambergerator Doppelbock. É uma cerveja excepcional. Sempre prometo que vou guardar uma, mas nunca consigo cumprir.

3) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
Gouden Carolus Cuvée van de Keizer Blauw.

4) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Ayinger Celebrator. E viva as doppelbocks.

5) Qual estilo de cerveja você mais bebeu no ano?
Imperial stout (envelhecida em barril).

6) Qual cerveja tem a melhor relação custo x qualidade no mercado brasileiro?
Way. Toda a linha é consistente na qualidade, e os preços são bastante razoáveis. Além de ser uma das poucas artesanais que está apostando em embalagens maiores a preços acessíveis.

7) Melhor chope (nacional ou estrangeiro) à venda no Brasil
Evil Twin Even More Jesus.

8) Melhor bar/brewpub cervejeiro nacional
Prejudicado. Não frequento bares cervejeiros.

8a) Em que local você tomou o chope mais bem tirado em 2014?
Idem acima.

9) Melhor cerveja caseira
Pumpkin ale com coco queimado do Bruno Viola, vencedora da categoria estilo livre do campeonato da Acerva Carioca deste ano, em que tive o privilégio de participar como julgador. Menção honrosa para a Witbier do amigo Jarbas Menezes, da Acerva Niterói, vencedora do concurso do restaurante Aprazível.

10) Melhor cerveja que ainda não chegou ao Brasil
Anderson Valley The Kimmie, The Yink & The Holy Gose Ale. Agora que a Berliner Kindl está chegando ao Brasil, e o gosto pelas sour beers está se ampliando, só falta uma gose para acabar de quebrar as últimas barreiras de sabor da ditadura do lúpulo. No caso, a Anderson Valley seria mais acessível que a original da Gasthaus & Gosebrauerei Bayerischer Bahnhof, que também é deliciosa.

11) Melhor blog ou site cervejeiro
Cerveja na Mesa, do considerado entrevistador desta enquete, por furar o Brejas no lançamento da sua própria cerveja, jogada de mestre. Menções honrosas para Bebendo Bem, do Fabian Ponzi e O Cru e o Maltado, do Alexandre Marcussi.

12) Melhor design de rótulo de cerveja, nacional, importada ou caseira
Não apareceu nada que supere a Morada Etílica Double Vienna.

13) Qual sua combinação favorita de cerveja e comida?
Belgian Quadrupel (de preferência, trapista autêntica) com queijo rochefort ou gorgonzola.

14) Melhor evento cervejeiro nacional
Prejudicado. Por motivos pessoais, não pude comparecer este ano aos principais eventos.

15) Qual foi a maior novidade cervejeira de 2014 (receita, cervejaria ou técnica)?
A versão brut da Morada Etílica Double Vienna. Uma champenoise de base bem lupulada.

16) Melhor fato cervejeiro
A conclusão, por parte do governo brasileiro, da minuta para o novo Padrão de Identidade e Qualidade (PIQ) da cerveja no Mercosul, após discussões intensas com representantes do setor.

17) Pior fato cervejeiro
A continuidade da falta de união do meio cervejeiro, em todos os níveis – dos produtores, dos consumidores, das mídias sociais especializadas. Que se manifesta de diversas formas: no fracasso na articulação tardia pela aprovação no Simples, na falta de articulação na discussão da reclassificação das tabelas de PIS e Cofins da Receita Federal, no discurso fácil e conspiratório da culpabilização dos conglomerados cervejeiros por todas as mazelas do meio artesanal, que já virou clichê nos debates nas redes sociais, na falta de análise honesta e equilibrada dos potenciais do mercado.

18) Previsão cervejeira para 2015
Sem a sombra da disputa eleitoral, a agenda legislativa de 2015 será mais agitada, inclusive para a cerveja. Há diversos projetos em jogo, conforme já noticiei diversas vezes, inclusive a definição de cerveja artesanal por parte do Congresso. A se manter o comportamento atual do segmento, as probabilidades de novas decisões negativas são altas. Os preços das cervejas artesanais vão sofrer os efeitos do câmbio e da reformulação da cobrança de impostos, pressionando mais os consumidores. Bares e cervejarias que não tenham seus negócios bem estruturados podem não sobreviver ao choque.

19) Para você, o que é cerveja artesanal?
A caracterização de artesanal, em minha opinião, depende de uma conjunção de fatores: ser fabricada em quantidades pequenas ou médias; que o processo e as decisões sobre o resultado final estejam sob total controle do cervejeiro, desde o desenvolvimento da receita; que o processo utilize a automatização necessária para não transformar o cervejeiro em apenas um apertador de botões; que seja uma bebida que não busca ser insípida e inodora, ou o mínimo denominador comum em termos de aroma e sabor.

20) Quem foi a pessoa que mais trabalhou pela cerveja brasileira em 2014?
Como disse Adam Smith, “não é da bondade do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm pelo seu próprio interesse.” Pode parecer cinismo – se sou cínico, pelo menos, Smith também o é -, mas não vejo pessoas “trabalhando pela cerveja brasileira” de forma abnegada como o enunciado sugere. Vejo profissionais de distintas áreas trabalhando, se esforçando bastante, em prol de seus projetos, suas propostas, seus negócios. O que é ótimo. Ao fazer isso, elas estão indiretamente melhorando o panorama cervejeiro.

21) Que experiência própria, profissional ou pessoal, você acha que poderia ser aplicada à cerveja artesanal?
Passei três anos editando uma seção de PMEs (Pequenas e Médias Empresas) em um jornal especializado em Economia, e pude constatar que não existe segmento forte sem representação, ou seja, uma associação, igualmente forte. O problema é que a alternância de poder, como pressupõe disputa, dificulta a manutenção desta força inabalável do grupo, favorecendo a transformação de associações em feudos. É uma armadilha que o mercado artesanal, ainda jovem, pode evitar.

22) É possível se sustentar trabalhando apenas com cerveja no Brasil?
Sim. Tem gente fazendo isso. Não só se sustentando – e melhorando de vida. Não faltam exemplos. Fabricantes, donos de estabelecimentos, consultores… Mas não que seja fácil. E que ninguém se iluda com alguns números de faturamentos assombrosos que aparecem em reportagens, porque o  Brasil não tem condições mínimas de gerar um case de extremo sucesso como o Jim Koch, da Boston Beer (Samuel Adams), que ficou bilionário. Talvez nunca tenha. O ambiente em geral é desfavorável ao empreendedorismo.

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