Leonardo Sewald

LeonardoSewald

NOME: Leonardo Sewald
IDADE: 36
CIDADE E ESTADO EM QUE VIVE: Porto Alegre (RS)
FORMAÇÃO: Graduação em Ciência da Computação/Mestrado em Inteligência Artificial, depois cervejeiro pelo Siebel Institute de Chicago
ATUAÇÃO NA CERVEJA: sócio-proprietário e diretor de operações da Cervejaria Seasons
BLOG/SITE: http://www.cervejariaseasons.com.br
TWITTER: http://twitter.com/seasonsbeer
FACEBOOK: http://www.facebook.com/seasonsbeer
INSTAGRAM: http://instagram.com/seasonsbeer

***

1) Melhor Ale produzida no Brasil
Morada Hop Arabica, ainda vou conseguir um copo/xícara do Junqueira… delícia é pouco para descrever essa cerveja.

1a) Melhor IPA produzida no Brasil
Recentemente tomei a Kojak, uma IPA single hop de Columbus, direto da fonte na Baldhead servida pelo Giuliano Vacaro (cervejeiro e inspiração para o nome da própria cervejaria) que estava demais. Mas aqui na terrinha do chimarrão confesso que o páreo é duro, pois tem muita IPA boa sendo feita por estas bandas: Polimango da Tupiniquim, CaturrIPA da Irmãos Ferraro, Mantra da Maniba, a nossa duplinha Green Cow/Holy Cow… Muito bom ter toda essa variedade perto de casa.

1b) Melhor Weissbier produzida no Brasil
Qualquer Weiss produzida pelo Eduardo da Alenda Bier, de Morro Reuter (RS), especializada em produzir cervejas de trigo. Acho que a Rauchweizen é a minha preferida, mas as outras também são excelentes.

2) Melhor Lager produzida no Brasil
Abadessa Emigrator Doppelbock. Lembro da primeira vez que provei essa cerveja, anos atrás, ali na antiga distribuidora da Abadessa perto do Shopping Iguatemi em Porto Alegre (RS). Em um espaço onde caberiam umas 20 pessoas, devia ter umas 100, todos com o mesmo objetivo: conseguir uma provinha da Emigrator… Mesmo anos depois desta história, a Emigrator continua excelente.

3) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
Dieu Du Ciel Péché Mortel. Pouca gente sabe, mas esta cerveja foi inspiração para bolarmos a receita da Cirilo, nossa Coffee Stout. A idéia de colocar uma bomba de café dentro da cerveja e ainda mante-la balanceada foi o norte que precisávamos para desenvolver a nossa receita.

4) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Como não provei muitas Lagers importadas em 2014, vou repetir o meu voto de 2013 com a Pilsner Urquell, um ótimo custo-benefício de uma cerveja que tem uma bela história para contar.

5) Qual estilo de cerveja você mais bebeu no ano?
IPA, não sei porque… :-D.

6) Qual cerveja tem a melhor relação custo x qualidade no mercado brasileiro?
Acho que o custo é algo muito subjetivo e meio ruim de discutir. Alguns têm um bolso com mais vontade de se abrir para cervejas de mais valor agregado, enquanto outros se preocupam mais com o que vão gastar do que com o que vão beber. Dito isso, acho que as cervejas da Way têm um excelente custo-benefício, pelo menos onde as encontro por aqui.

7) Melhor chope (nacional ou estrangeiro) à venda no Brasil
A Sculpin IPA da Ballast Point está chegando em ótimas condições por aqui, apesar do preço ser meio salgado…

8) Melhor bar/brewpub cervejeiro nacional
Biermarkt, seja o original, da Castro Alves, ou o Vom Fass, com 35 torneiras sempre muito bem cuidadas pelos amigos Pedro Braga e Adolfo Bandeira. Na época em que todos chamavam eles de loucos por estarem abrindo um bar com 8 torneiras e colocar um balcão refrigerado só para armazenar os barris a serem servidos há 6 ou 7 anos, eles se mantiveram fiéis à cerveja artesanal de qualidade e quebraram paradigmas no que diz respeito ao cuidado com o que se está servindo no copo.

8a) Em que local você tomou o chope mais bem tirado em 2014?
Hidden Brewpub. Sempre que chego lá peço a mesma coisa: um pint da Vienna Lager da casa e um franguinho “chapa-suja” bem caramelado com Weissbier (certo que o Ido vai me xingar por ter apelidado o frango dele assim…)

9) Melhor cerveja caseira
Tranquilus APA, do amigo Alessandro Ren. Dá pra beber o dia todo!

10) Melhor cerveja que ainda não chegou ao Brasil
Lost Abbey Red Barn. Uma aula de como fazer uma Saison/Farmhouse Ale do mestre Tomme Arthur.

11) Melhor blog ou site cervejeiro
Homebrew Talk.

12) Melhor design de rótulo de cerveja, nacional, importada ou caseira
Sou obrigado a fazer um autovoto e puxar o saco do Leonardo Garbin, nosso marketing e responsável pelos rótulos da Seasons. Os últimos trabalhos feitos por ele (Pacific e Holy Cow #2) são sensacionais. Sou um grande fã! Esse aqui é o rótulo da Pacific, nossa Extra Pale ale lançada em Novembro (o da Holy Cow #2 eu ainda não posso mostrar, senão ele me mata, eheheh…). Como escolhi um rótulo da Seasons, vou votar em outro: a nova embalagem feita para a Cerveja Coruja: não só a arte como também a própria garrafa ficaram demais!

13) Qual sua combinação favorita de cerveja e comida?
Queijo gorgonzola e uma IPA daquelas bem amargas. Simples assim. Tudo culpa da Cilene (Saorin) me ensinando a harmonizar cervejas e queijos em um Extra-Malte sobre o assunto anos atrás. A dica de queijo pecorino com Stout/Imperial Stout também é excelente!

14) Melhor evento cervejeiro nacional
Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC). É o nosso Great Brazillian Beer Festival.

15) Qual foi a maior novidade cervejeira de 2014 (receita, cervejaria ou técnica)?
O público usando termos como “a onda das IPAs” ou “a moda das IPAs” para descrever a invasão de India Pale Ales no mercado brasileiro. Não sou hipster e não me torno avesso a esses termos, na verdade fico feliz em ver tamanha aceitação do “amargo” por parte do consumidor. Isso tem um sentido: o lúpulo é, na minha opinião (e na do Charles Papazian, presidente da Brewers Association, pois li algo similar em um artigo dele na revista The New Brewer) o principal contraponto às cervejas de massa, que possuem pouco desse ingrediente. E uma das melhores maneiras de se quebrar paradigmas provando cervejas artesanais é tomar uma cerveja daquelas que faz com que o consumidor pense coisas do tipo “eu não sabia que cerveja poderia ter esse gosto”. Nesse sentido, o lúpulo é convidativo. A única coisa com que não concordo é com o uso do termo “moda”, normalmente associado a algo efêmero. No caso do gosto por cervejas diferenciadas, acho que a “moda” veio para ficar.

16) Melhor fato cervejeiro
Cumprindo uma promessa que fiz na pesquisa de 2013, finalmente posso citar a conclusão da expansão da Seasons como melhor fato cervejeiro. Graças ao empenho da nossa equipe de cervejeiros, que não deixou a peteca cair mesmo em meio às obras de expansão, à ajuda da EGISA na figura do Volmir Gava, e muito trabalho, a gente conseguiu realizar o projeto. Agora temos mais vacas espalhadas por aí…

17) Pior fato cervejeiro
Vou pedir licença para o Bob e postar um pequeno artigo aqui, pois acho importante esclarecer alguns pontos referentes ao problema em questão…

Conforme falei há muito tempo atrás, o inevitável começa a aparecer: empreendedores no meio cervejeiro entrando apenas para aproveitar o momentum de mercado, pensando que vão conseguir com isso ganhar muito dinheiro fazendo um produto “meia-boca”. Recebo contatos de pessoas dos mais diversos backgrounds querendo abrir microcervejarias, brewpubs e outros negócios pertinentes à cadeia de produção praticamente todos os dias. Ao mesmo tempo em que fico feliz com um potencial colega de profissão realizando seu sonho, também fico assustado com os aproveitadores de plantão. Costumo sempre “dar a real” logo de cara para ver quais as intenções da pessoa, se ela vai aguentar o tranco ou não. Caso a pessoa siga em frente e esteja decidida a realizar esse sonho, ajudo da melhor maneira que posso, sendo realista e sem esconder nada, faço projetos e receitas juntos, ajudo com detalhes técnicos, não interessa, qualquer coisa, pois pra mim é melhor que existam mais empresas sérias atuando no mercado. Mas tem que fazer direito…

Dito isso, seguem abaixo alguns pontos importantes pra pensar a respeito. Se você está lendo isso e é um potencial empreendedor no mercado cervejeiro, ótimo: respeite esses itens abaixo e você irá começar com o pé direito!

– abrir uma empresa requer muito autoconhecimento. Saber até onde e até quando aguenta pressão, seja ela externa (clientes, fornecedores, parceiros), interna (problemas ligados aos processos internos ou ao produto, pressão financeira, psicológica); saber quais as suas habilidades técnicas e sociais; descobrir quantas horas você consegue aguentar acordado e manter a concentração; descobrir quantos “nãos” quebram o seu espírito (e como você faz para recolher os estilhaços e se levantar); entender quais as suas maiores deficiências e como você vai fazer para contorná-las etc.

– Fazer uma cervejaria nâo é uma corrida, é uma maratona.

– abrir uma empresa é algo difícil. Abrir uma empresa em um mercado emergente como o nosso é mais difícil ainda. Logo, precisa ser algo onde você seja apaixonado pelo que faz todos os dias. Se você não é apaixonado pelo que faz, nem comece.

– fazer cerveja é como fazer arte. Pra isso, é preciso prática. Beethoven estudava e treinava horas todos os dias; os Beatles começaram tocando na cena underground em Hamburgo por cerca de 6 horas todos os dias durante 2 anos. Pra estes artistas, isso não era cansativo; era treinamento. Treinamento gera prática, que por sua vez gera experiência. Seja essa prática vinda das mãos de um cervejeiro experiente contratado por você ou então de você mesmo, é algo extremamente necessário.

– tem que fazer cerveja com qualidade e consistência. No mercado não vale fazer um produto de um jeito uma vez e de outro jeito na segunda leva. E de outro jeito na terceira. O público não vai perdoar no longo prazo. E o pior: se você fizer e vender cerveja ruim, não é só a sua empresa que sairá prejudicada, mas também todas as outras que estão se esforçando para deixar suas marcas no ainda novo mercado cervejeiro. Se não tiver qualidade e consistência, nem comece.

– é preciso ter olhos de lince para as finanças – uma cervejaria gera gastos, muitos gastos. Não é só equipamento, insumos, barris, obras, garrafas, tampinhas, rótulos, caixas, fitas adesivas (sim se gastam quilômetros delas), filtros, ferramentas… tudo isso precisa ser comprado logo de cara, e são poucas as opções de financiamento. Por outro lado, suas vendas quase nunca são pagas à vista. Logo, o seu fluxo de caixa precisa estar sempre sob controle.

– se você decidir abrir uma microcervejaria, lembre-se de que está entrando em um mercado ainda muito jovem. Logo, seu esforço não será apenas para manter o seu negócio, mas para manter e fazer crescer o mercado como um todo, um mercado onde o consumidor ainda precisa ser formado e informado. Para isso o empreendedor precisa transpirar além do que normalmente já precisa quando abre um outro tipo de negócio.

– uma microcervejaria, assim como uma indústria ou fabricante de produtos manufaturados, costuma estar no topo de uma cadeia bastante grande de dependências externas. Para o seu produto chegar até o cliente, você depende de fornecedores de malte, lúpulo, da companhia de água e luz que atende você, do seu fabricante de equipamento; das empresas que fazem os fretes das suas compras; dos seus fornecedores de barris, caixas, garrafas, tampinhas e rótulos; dos órgãos governamentais que regulamentam o seu negócio… Nesse sentido, a chance de alguma coisa dar errado é grande. Ou seja, nem sempre as coisas saem certo para você, mas o que sai das portas da sua empresa para chegar no seu consumidor tem SEMPRE que sair certo, pois nenhuma falha vinda dos seus parceiros justifica um produto malfeito.

– Seja humilde quando cometer algum erro. Se o produto ficou ruim e mesmo assim saiu das portas da sua empresa, a falha foi sua por não ter percebido. Isso é demonstração de maturidade.

– esteja sempre disposto a evoluir e melhorar em todos os conceitos.

– por último, mas não menos importante: fazer uma cervejaria dá muito trabalho. Logo, precisa ser pelo menos divertido. Espante o stress com uma cerveja de vez em quando. Relaxe em cima de uma cama de sacas de malte. Cheire um lúpulo de manhã (já fiz um travesseiro de lúpulo uma vez, é muito bom!). Leve muito a sério o seu negócio, mas não se leve tão a sério. Lembre-se, você trabalha em uma cervejaria, não em um hospital!

18) Previsão cervejeira para 2015
Apertem os cintos, o imposto subiu!

19) Para você, o que é cerveja artesanal?
Achei excelente a pergunta. Vejo que estamos caminhando para uma definição do que é cerveja artesanal, e temos obrigação de fazer isso, pois é a partir da definição do que é ser artesanal que iremos empoderar o consumidor com a habilidade de escolher e nos entender melhor.

Cerveja artesanal, em termos técnicos é, como diz a Brewers Association, pequena, independente e tradicional. Mas pra mim é muito mais. Cerveja artesanal é arte em estado líquido. É revolução no copo. É dar real liberdade de escolha ao consumidor. É diversidade com qualidade. É história, cultura, ciência e tecnologia dentro de uma garrafa.

As diferenças são tantas quando nos comparamos com as grandes cervejarias que eu poderia ficar escrevendo por horas aqui. Mas acima de tudo, vejo na cerveja artesanal um produto honesto. Uma cervejaria artesanal é aberta com o seu consumidor. Abrimos as portas e mostramos ingredientes, processos e modelo de trabalho. Falamos sobre a nossa história, contamos nossos altos e baixos e falamos sobre nossas conquistas. E isso é a nossa grande vantagem: com o consumidor informado, ele se torna cada vez mais livre para escolher. Acho que a palavra-chave para buscar uma definição formal de cerveja artesanal é esta: liberdade. Seja ela de ingredientes, de processos, ou de escolha.

20) Quem foi a pessoa que mais trabalhou pela cerveja brasileira em 2014?
Marcelo Carneiro da Rocha. Quero ser que nem esse grande cara quando eu crescer. Tenho muito orgulho de ser amigo desta figuraraça.

21) Que experiência própria, profissional ou pessoal, você acha que poderia ser aplicada à cerveja artesanal?
Acho que o melhor conselho que posso dar é o de prestar atenção na qualidade do que você está fazendo. Seja se você estiver fazendo cerveja, distribuindo, fabricando equipamento ou vendendo matéria-prima, toda a cadeia de produção se beneficia de um olho clínico para qualidade. É sempre bom lembrar que estamos trabalhando com produtos de alto valor agregado, então para os nossos consumidores o que mais importa é se o produto, literalmente, agrega valor. Sem qualidade não há como ir para frente.

22) É possível se sustentar trabalhando apenas com cerveja no Brasil?
Bom eu não morri de fome até agora, então eu diria que sim! 😀

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