Daniel Draghenvaard

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NOME: Daniel Gontijo Draghenvaard
IDADE: 33
CIDADE E ESTADO EM QUE VIVE: Belo Horizonte (MG)
FORMAÇÃO: Engenheiro de Eletrônica, MBA.
ATUAÇÃO NA CERVEJA: Produtor artesanal de fermentados e destilados da Smedgård. Co-fundador da ACervA MG e APH-MG.
BLOG/SITE: não informou
TWITTER: não informou
FACEBOOK: não informou
INSTAGRAM: não informou

***

1) Melhor Ale produzida no Brasil
DUM Grand Cru.

1a) Melhor IPA produzida no Brasil
Por mais heterogêneo que seja o mercado e que se possa conseguir beber praticamente todos os tipos de cervejas, a frenesi por lúpulos americanos nos últimos anos deixa um pouco de lado muitas IPAs genuínas inglesas – as quais prefiro pelo equilíbrio geral como bebida -, que estão um pouco apagadas no mercado nacional pela influência do recente modismo estadunidense. Difícil escolher, mas neste ano a Schornstein India Pale Ale foi a que mais agradou.

1b) Melhor Weissbier produzida no Brasil
Nenhuma cerveja de trigo nacional me impressionou de verdade em 2014. Não gosto de generalizar, mas entre várias que bebi acho que faltam ajustes no refinamento (excesso) do trüb e na apresentação da bebida em si, muitas completamente opacas, por vezes esbranquiçadas pelo excesso de fermento e com gosto forte de fermento/sulfídrico depois que o fundo agitado vai pro copo, matando completamente o fenólico/spicy, o frutado e a refrescância desejados nas cervejas de trigo.

2) Melhor Lager produzida no Brasil
Ouropretana Pilsen.

3) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
De Molen, várias…

4) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Eggenberg Samichlaus.

5) Qual estilo de cerveja você mais bebeu no ano?
Pale Lagers.

6) Qual cerveja tem a melhor relação custo x qualidade no mercado brasileiro?
a) Kaiser Gold entre as mega-cervejarias.
b) Backer série Três Lobos e Eisenbahn (várias) entre as micro-cervejarias.

7) Melhor chope (nacional ou estrangeiro) à venda no Brasil
Não me lembro, bebi demais em 2014 e meu fígado não me proporcionou boas memórias sobre chopes em bares, eventos cervejeiros e demais locais mundanos dessa vida caótica. Fica pra 2015, se eu lembrar.

8) Melhor bar/brewpub cervejeiro nacional
Vila Cervejeira da Backer, em Belo Horizonte (MG).

8a) Em que local você tomou o chope mais bem tirado em 2014?
Villa Adriana, em Belo Horizonte (MG).

9) Melhor cerveja caseira
Nenhuma de que me lembre. E em 2014 infelizmente não fui na festa e concurso das ACervAs para poder conhecer novas cervejas.

10) Melhor cerveja que ainda não chegou ao Brasil
São inúmeras, mas vou votar na alemã da Hummel-Bräu Kellerbier. Como não existem cervejas “tipo Keller” (rsrsrs) de verdade no Brasil (me refiro ao processo e acondicionamento, não ao que escrevem em rótulos por aí…), fica aí a dica para os empreendedores aficcionados por cervejas germânicas, frescas, artesanais e genuínas. Chance de marketing e novidade violenta…

11) Melhor blog ou site cervejeiro
Não sou leitor regular de blogues. Para mim nenhum novo de relevância em 2014. Continuo acessando, mesmo que pontualmente, somente os sites que gosto para consultas específicas nas bases de dados, como o Oelentusiasten, B.A., Shut up about Barclay Perkins, entre outros.

12) Melhor design de rótulo de cerveja, nacional, importada ou caseira
Valmiermuižas Tumšais, da Letônia.

13) Qual sua combinação favorita de cerveja e comida?
Nenhuma, o negócio é comer! E beber, claro. Cerveja e porco guiam a minha vida, desde sempre. Não sou de pensar muito em combinar estilos de cervejas para combinar com comida x, y ou z, mas respeito e reconheço quem conseguir unir os dois e potencializar experiências únicas, mesmo que sutis. Como sugestão para quem gosta de ficar se preocupando com isso, a carne de porco, cada corte, cada parte do suíno, mais ou menos gordurosa, com determinados temperos salgados, picantes, herbais, agridoces ou doces, defumada, seca, salgada ou marinada, uma carne que aceita bem diversos temperos e métodos de preparo, é possível praticamente harmonizar com qualquer estilo de cerveja. Ao amigo que duvidar disso, convido para visitar o Smedgård Mead Hall. Farei receitas de porco diferentes e beberemos com as cervejas que estiverem disponíveis, harmonizando ou não, a diversão “eu agarântchio”. 😛

14) Melhor evento cervejeiro nacional
Festa e concurso anual das AcervAs. Este ano não consegui ir porque estava viajando. Apesar de que sempre aparecem muitas cervejas ruins, muitas boas despontam também. Além de ser uma chance única de trocar idéias com cervejeiros de todo o Brasil e experimentar raridades e experimentos únicos, vários não replicáveis em processos industriais das micro-cervejarias.

15) Qual foi a maior novidade cervejeira de 2014 (receita, cervejaria ou técnica)?
Uma chance de conseguir a tributação pelo Simples Nacional para as micro-indústrias de cervejas.

16) Melhor fato cervejeiro
Decreto do governador do Estado de Minas Gerais para a redução do ICMS para 8% para micro-indústrias cervejeiras dentro de MG que produzem até 250 mil litros/mês e utilizem ao menos 80% de cereais maltados em suas receitas registradas no MAPA.

17) Pior fato cervejeiro
Desde sempre a legislação limitada e imbecil da IN.54 e a da Lei 8.919, que para piorar precisa de aprovação dos países membros do Mercosul caso venham ocorrer mudanças e atualizações. Não me restam dúvidas de que quem escreveu e aprovou a legislação não sabia o que estava fazendo. Sem falar da votação contra a inclusão das micro e nano-cervejarias no Simples Nacional no começo de 2014. É muito amadorismo e falta de visão para um setor somente.

18) Previsão cervejeira para 2015
Positiva, com novidades esperadas e novos produtos disponíveis no setor de micro-indústria e com maior apelo das macro-indústrias copiando produtos das micros e disponibilizando nacionalmente cervejas dos grandes grupos internacionais, para se posicionarem melhor nesse nicho de mercado e morderem um pouco dessa fatia. Algumas tentativas e testes já foram feitos pela Ambev nos anos anteriores. Isso aumenta a competição e os micro-industriais precisarão rever seus custos e pensar em como se adequar a essa nova realidade que ficará cada vez mais intensa, uma vez que, nas gôndolas de muitos mercados e lojas, todas as cervejas estarão lado a lado. Não vejo previsão negativa para o setor cervejeiro há anos, está de fato em ascensão há mais de 10 anos. Entretanto, a instabilidade cambial corrente USD/EUR BRL favorece a oferta das nacionais frente às importadas, uma vez que os preços das importadas tende a aumentar, regra simples.

19) Para você, o que é cerveja artesanal?
Cerveja artesanal é a cerveja feita por um cervejeiro, por vezes com um aprendiz ou ajudante, sem divisão de trabalho, normalmente em sua própria propriedade, sem processos industriais, sem manufatura escalar de massa, sem envolver quaisquer tipos de automatização. Para a cerveja ser “artesanal” é preciso ter tato com o produto, para assim considerá-lo como “artesanato” se observarmos conceitos variados de dicionários. Sei que existem interpretações diferenciadas e cada parte puxa a sardinha para o seu lado, levando em conta uma paixão pessoal por um produto vislumbrado, um sonho, a composição de ingredientes e analogias com o empreendimento familiar (embora industrial), mas se queremos homogenizar esse conceito tão difuso no Brasil é preciso olhar com mais assertividade alguns pontos e deixar idéias fixas e mercadológicas de lado. O fato é que existem ainda poucas cervejas no mundo de fato artesanais, ou próximas do conceito real que traz a o significado da palavra (que remete ao artesão, à arte manual de pequena escala, local e transcedental), operando no interior da Alemanha, Áustria, Suíça, Dinamarca, Lituânia, entre outros, que funcionam por controle de gravidade, processos manuais ou de tração animal, praticamente ausentes em instrumentação, servomecanismos e linhas de produção automáticas, possibilitadas devido ao incentivo dos governos desses países para manter tradições, produção local, rural e que visa manter postos de trabalho e giro nos micro-ambientes do setor da economia, não só para cerveja, mas para laticínios, vinhos, destilados, produtos apícolas, agrícolas et cetera. Para complicar ainda mais esse conceito difuso, existem várias pessoas no Brasil que tentam atribuir que o termo “Craft” dos EUA é “artesanal” no Brasil. Não é. Craft na língua inglesa não é necessariamente artesanato no sentido literal da palavra, não se pode traduzir assim, nem mesmo os volumes atribuídos dentro do B.A. são compatíveis com uma produção de fato manual ou de pequena escala ao que se refere o termo. Esse termo foi adotado por razões mercadológicas e encaixou-se como uma luva para algumas micro-indústrias cervejeiras do Brasil, que insistem em chamar suas cervejas de ,,artesanais’’ para diferenciá-las das mega-cervejarias e agregar valor na venda, mesmo que em algumas vezes as micros possuam produtos de qualidade inferior. É possível registrar e legalizar cervejas/cervejarias somente como indústria pela lei em vigor, embora já existam decretos e revisões na lei Brasileira que considerem cerveja ou chope artesanal produções abaixo de 3 milhões de litros/ano. Mas para atividade legal e registro, pela lei brasileira, cerveja artesanal não existe e só pode ser produzida por indústria. Um paradoxo, rsrs .

20) Quem foi a pessoa que mais trabalhou pela cerveja brasileira em 2014?
Não devemos eleger uma ou meia dúzia de cabeças para um cena inteira. É injusto e desproporcional. O setor de cerveja somente se sustenta se houver o trabalho conjunto entre empreendedor e consumidor, e toda a cadeia: micro-indústrias, fornecedores de matérias primas e de tecnologia, distribuidores, revendas, restaurantes, ACervAs, eventos etc. É um sistema em constante movimento e que vai se ajustando conforme orientação do mercado. Sem todos atuando, a cena, o setor e a “revolução” não existem.

21) Que experiência própria, profissional ou pessoal, você acha que poderia ser aplicada à cerveja artesanal?
À cerveja de micro-indústria, penso que devem continuar pressionando com as associações e agremiações devidas para mudanças tributárias e que venham gerar benefício real ao empreendedor e final ao consumidor. Ainda penso que o Brasil é um país amador no setor cervejeiro. Muita coisa precisa mudar, em todas esferas e.g. qualidade, seriedade, distribuição, cultura e legislação.

22) É possível se sustentar trabalhando apenas com cerveja no Brasil?
Penso que sim, é possível, caso exista foco real e o(a) empreendedor(a) tenha elaborado um planejamento estratégico sério, com um plano de negócios flexível e facilmente adaptável a quaisquer condições adversas. Sei que na prática tudo ocorre diferente, mas já fiz análise de mercado em momentos diferentes da cena cervejeira, desde 2006-2007, além de estar em constante contato com todos amigos que resolveram arriscar e investir no setor. Posso estar enganado, mas para começar sozinho e viver somente disso, com os produtos que eu desenvolvi dentro das propostas de valor e do projeto que é a Smedgård, a conta não fecha no plano de negócios, além de diversos produtos não serem implementáveis conforme legislação atual, seria preciso fazer diversas adequações de portifólio, parcerias, firmar certas exclusividades, investir em marketing, contar com profissionais de fato capacitados, com nível salarial adequado à responsabilidade exigida e ter um planejamento logístico dedicado, de elevado custo operacional. O custo-Brasil é muito alto; enquanto algumas regras tributárias e o custo da cadeia não mudarem eu não vou entrar no jogo, pois não quero sustentar essa palhaçada que o governo faz com empreendedores e consumidores. Estou satisfeito fazendo minhas próprias bebidas fermentadas e destiladas em casa e na fazenda da minha família, mas sempre disposto e escutar propostas de parcerias caso seja conveniente e oportuno.

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