Marcio Rossi

MarcioRossi

NOME: Marcio Cunha Rossi
IDADE:  45
CIDADE E ESTADO EM QUE VIVE: Belo Horizonte (MG)
FORMAÇÃO: Engenheiro eletricista
ATUAÇÃO NA CERVEJA: Membro fundador da AcervA Mineira, homebrewer desde 2009
BLOG/SITE: Não possui
TWITTER: http://twitter.com/marcio_c_rossi
FACEBOOK: https://www.facebook.com/marcio.rossi
INSTAGRAM: http://instagram.com/doctorhox

***

1) Melhor Ale produzida no Brasil
Hop Arabica/Morada Etilica. É certo que escolher a melhor entre tantas cervejas espetacularmente produzidas em nosso País é um exercício complexo, senão injusto. Mas aqui foi diferente. Eu li a pergunta e a resposta surgiu sem o menor esforço. Realmente me impressionei com a Hop Arabica; além de ser uma cerveja extremamente bem feita, ela foi ousada ao colocar o café, cujo sabor é tradicionalmente associado às cervejas escuras com maltes tostados, em uma cerveja clara, leve e comportadamente lupulada. Ousada porque, refrescar-se com café ainda no País que mais o produz no mundo. E o resultado, obviamente para apreciadores de café e cerveja como eu, foi mais que espetacular.

1a) Melhor IPA produzida no Brasil
Grimor 14. Aí haverá quem pense: “Olha o Márcio, amigo dos Inconfidentes e Cervejeiros da Grimor votando na cerveja dos amigos dele”. Merece um esclarecimento: esse é o terceiro rótulo da cervejaria e o primeiro que me entusiasma. E sou amigo de muitos cervejeiros, felizmente. A Grimor 14 é uma cerveja relativamente leve, pouco alcoólica, muito fácil de beber (não gosto de falar drinkability…), com muita personalidade e, principalmente, equilíbrio: nada nela é extremo e tudo se combina.

1b) Melhor Weissbier produzida no Brasil
Aqui recorro à nossa mesa de julgamento na South Beer Cup para coroar a Bier Hoff Weizen, selecionada após duras rodadas, com muita análise e providencial apoio de um juiz alemão na mesa. Foi escolhida às cegas por suas virtudes e coerência com o estilo.

2) Melhor Lager produzida no Brasil
Se eu entrar em um bar, o garçom chegar e dizer: “Sr., aqui servimos apenas Lagers nacionais, o sr. pode escolher a que quiser”, eu pediria uma Jan Kubis da Cervejaria DUM.

3) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
Cada vez menos eu consumo importadas. Mesmo as mais robustas sofrem muito com a viagem. Americanas, Tchecas, Belgas, Alemãs que tive a oportunidade de provar no País de origem eram outras cervejas, muito superiores às viajantes. Ainda assim, apostando na mais resistentes, eu gosto de me dar ocasionalmente uma garrafa de Rochefort 10.

4) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Pelos motivos acima, aqui a coisa se complica ainda mais. Lagers deveriam ser proibidas de viajarem. Ainda assim, posso dizer que a Brooklyn Pilsner, ainda que sumida das prateleiras, seja uma opção possível, surpreendente até pela relativa boa forma em que chega aqui.

5) Qual estilo de cerveja você mais bebeu no ano?
IPAs e APAs, certamente. E a cerveja que mais bebi foi a Wäls Session Citra, por sua leveza, refrescância e sabor.  Como tem pouco álcool, apenas 3,9%, é ideal para aplacar o calor dos dias quentes sem sacrificar muito o fígado.

6) Qual cerveja tem a melhor relação custo x qualidade no mercado brasileiro?
Sem dúvida a linha 3 Lobos da Backer com seus 4 rótulos. Pra escolher um, fico com a Pele Vermelha IPA.

7) Melhor chope (nacional ou estrangeiro) à venda no Brasil
O melhor chope, além da receita em si, vai se beneficiar muito da logística. Aí, certamente um chope local, fresco, bem servido após o envase terá seu diferencial. Com tantas opções em BH, sou injusto com outros tantos ao escolher um rótulo de uma cervejaria. Mas o melhor chope que tomei esse ano foi o Niobium/Cervejaria Wäls.

8) Melhor bar/brewpub cervejeiro nacional
Pra escolher um, apenas um, Tasting Room da Wäls. O ambiente, o carinho, as variadas opções de boas cervejas. Mas preciso citar o trabalho itinerante da Inconfidentes, que roda toda a cidade com suas Kombis buteco, levando seus excelentes chopes aos quatros cantos da cidade. E tem mais uns 4 ou cinco que eu queria mencionar…!!!

8a) Em que local você tomou o chope mais bem tirado em 2014?
Tasting Room da Wäls.

9) Melhor cerveja caseira
Bebi muita cerveja caseira este ano, muita mesmo. Mas foi tudo da minha própria e, portanto, não poderia contribuir nessa categoria, a despeito da quantidade de produções caseiras em minha cidade, BH.

10) Melhor cerveja que ainda não chegou ao Brasil
A melhor mesmo é uma que não chega em lugar nenhum por ser vendida apenas no mosteiro e, às vezes, repassada no comércio local belga: toda linha Westvleteren, que não são apenas boas, são excepcionais, superiores mesmo. Mas se pensar em uma cervejaria comercial, cito a Dogfish Head, com sua ampla gama de ótimas cervejas, sejam as perenes ou sazonais.

11) Melhor blog ou site cervejeiro
Brejas!! Além de ser uma enciclopédia cervejeira, é um espaço aberto de debates e opinião com autoridades cervejeiras de todo o País.

12) Melhor design de rótulo de cerveja, nacional, importada ou caseira
São muitos os rótulos bonitos e criativos, muitos mesmo. Tem que ser uma? Tá bom então, meu voto vai para a paulista Madalena, que trás um perfil belamente desenhado de mulher com detalhes dourados e adereços coloridos; é uma rótulo que me agrada muito.

13) Qual sua combinação favorita de cerveja e comida?
Ah não…!!! São muitas… O joelho de porco com batata e chope Niobium do Tasting Room da Wäls merecem o destaque.

14) Melhor evento cervejeiro nacional
Estive em poucos eventos neste ano, todos locais. Eu não poderia contribuir na categoria sem ter participado de um grande evento nacional, preciso me abster nessa…

15) Qual foi a maior novidade cervejeira de 2014 (receita, cervejaria ou técnica)?
Juntando tudo isso, a maior novidade cervejeira para mim se consolida na Cervejaria Wäls. Todo o tempo, o ano inteiro, lançaram novidades, ganharam prêmios importantes, nacionais e internacionais, empreenderam em novas cervejarias dentro e fora do Brasil, fizeram parcerias com lojas e bares, desfilaram em dezenas de publicações em que o assunto era cerveja. Apesar da tradição da Wäls, a cervejaria encerra 2014 muito diferente daquela que começou e inovação foi a palavra de ordem durante todo ano.

16) Melhor fato cervejeiro
Poderia falar dos prêmios, cervejas, avanços com o Ministério da Agricultura (Mapa), luta legislativa contra os impostos abusivos. Mas percebo uma mudança de mentalidade na comunidade cervejeira que começa a valorizar o que existe entre os extremos, a dialogar melhor com quem se interessa pela diversidade do mundo artesanal. Diria que o cervochato caminha para extinção e que cervejas são cada vez mais valorizadas pelo esmero em sua produção do que pela carga de malte, lúpulo, álcool ou ingredientes exóticos. É o início de uma mudança importante que permitirá o fortalecimento da revolução cervejeira com uma postura menos arrogante, mais acolhedora.

17) Pior fato cervejeiro
Os eventos pseudo cervejeiros que prestaram um desserviço aos apreciadores e neófitos iludidos e traumatizados com festas mal organizadas, caras e ruins.

18) Previsão cervejeira para 2015
Vejo uma consolidação do que comentei no melhor fato. Claro que teremos novidades, novos rótulos, prêmios e quiçá uma vitória legislativa. Mas acredito que cada vez mais cervejas mais leves, de IBUs Unidades de Amargor) medianos, encontrarão espaço no gosto e preferência dos apreciadores. E isso motivará as cervejarias a investirem em processo, tecnologia, qualidade, porque fazer uma boa cerveja leve é desafiador. Todos ganham com mais opções, mais tolerância e qualidade.

19) Para você, o que é cerveja artesanal?
Artesanal, especial, Reinheitsgebot… Nada disso define a qualidade de uma cerveja. Artesanal foi, por algum tempo, um termo que permitia diferenciar das industriais as cervejas feitas em menor escala e com cuidado nos ingredientes. Mas hoje grandes cervejarias têm excelentes rótulos e acontece também de encontrarmos cervejas artesanais e caseiras bem ruins. Milho, arroz ou açúcar na receita não tornam uma cerveja ruim. É o processo e a técnica que se sobressaem aos ingredientes. Para mim, artesanal hoje é um termo que meramente diz respeito, de forma imprecisa, ao tamanho da indústria, sem relação direta com a qualidade do produto. Eu não gosto de cerveja artesanal, especial ou premium, eu gosto de cerveja boa, bem feita. O tamanho da panela ou dos fermentadores me importa menos.

20) Quem foi a pessoa que mais trabalhou pela cerveja brasileira em 2014?
Pessoa não, família. Família Wäls com os irmãos José Felipe e Tiago, seus pais Miguel e Ustane. Seja na produção, parcerias, novas cervejarias, novos rótulos, premiações, eventos, incansável luta por uma legislação melhor para o setor, essa família fez muito pela cerveja brasileira. Embora não estejam sozinhos, merecem o destaque.

21) Que experiência própria, profissional ou pessoal, você acha que poderia ser aplicada à cerveja artesanal?
Da mesma forma que em outras matérias, setores ou assuntos, combinar informação (estudo), dedicação e paixão é o que proporciona resultados extraordinários. Os cervejeiros e cervejarias de renome são todos feitos de pessoas obstinadas, apaixonadas e curiosas numa busca incessante de informação, um jeito de fazer melhor. Esse é o motor da evolução.

22) É possível se sustentar trabalhando apenas com cerveja no Brasil?
Possível sim, ainda que dificílimo, complicadíssimo. É um mercado amplo, com oportunidades para sommeliers, consultores, fabricantes, comerciantes, designers, técnicos, jornalistas, escritores, blogueiros, uma imensidão de profissionais. E todos aqueles que foram bem sucedidos contam uma história de luta, dificuldade e persistência. É um mercado em expansão, que demanda cada vez mais e, ao mesmo tempo, massacra os empreendedores com toda burocracia, impostos, morosidade e custos que dificultam a necessária rentabilidade de qualquer negócio. Como o sertanejo de Euclides da Cunha, o cervejeiro é antes de tudo um forte.

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