Roberto Fonseca

RobertoFonseca

NOME: Roberto Fonseca
IDADE: 38
CIDADE E ESTADO EM QUE VIVE: atualmente em Cambridge, Massachusetts; originário de São Paulo (SP)
FORMAÇÃO: Jornalista
ATUAÇÃO NA CERVEJA: responsável pelo blog Cerveja na Mesa, do portal da Veja São Paulo, e colunista bimestral de cervejas da Revista Menu. Autor da enquete Os Melhores do Ano na Cerveja, realizada desde 2009
BLOG/SITE: http://vejasp.abril.com.br/blogs/cervejas/
TWITTER: http://twitter.com/ bob_do_blog
FACEBOOK: http://www.facebook.com/roberto.fonseca.1829
INSTAGRAM: http://instagram.com/robertoafonseca

(OBS: votos baseados em degustações brasileiras até o dia 2/8/2014)

***

1) Melhor Ale produzida no Brasil
Seria a Backer 3 Lobos Bravo Imperial Porter unblended, direto do barril de amburana na fábrica, degustada durante a South Beer Cup. Notas destacadas da madeira e uma acidez moderada. Como a Backer não tem planos comerciais para ela, fico com a Morada Wheat Wine Sour, degustada no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC), o que deve ser considerado como indireta para que o André Junqueira lance logo a cerveja no mercado.

1a) Melhor IPA produzida no Brasil
Mistura Clássica Vertigem, degustada no Brasil Bier, evento que ocorreu junto com a South Beer Cup em BH. Gosto de American IPAs com aroma de lúpulo, sabor de lúpulo, amargor afiado e sem aspereza. A Vertigem cumpriu esses requisitos.

1b) Melhor Weissbier produzida no Brasil
A pergunta é mesmo capciosa. Creio que só não tomei menos Weissbiers em 2014 porque meus sogros gostam e eu sempre provava a deles para ver se estava em boas condições. Nesse quesito, vou de Bamberg Weizen. Resolução para 2015: provar mais Weizen.

2) Melhor Lager produzida no Brasil
DUM Jan Kubis, servida pelo Murilo Foltran no Minhocão (uepa!) durante a Virada Cultural, em maio. Sol forte, combinou bem.

3) Melhor Ale estrangeira à venda no Brasil
Cantillon Cuvée St-Gilloise em chope. É rara e bem cara (ou vice-versa).

4) Melhor Lager estrangeira à venda no Brasil
Ayinger Celebrator. Mesmo voto de 2012, mas a cerveja merece.

5) Qual estilo de cerveja você mais bebeu no ano?
Morando cinco meses do ano nos EUA? Deixe-me pensar, senão vejamos, noves fora… American IPA.

6) Qual cerveja tem a melhor relação custo x qualidade no mercado brasileiro?
Eisenbahn. Até no interior de SP ela era encontrada abaixo de R$ 6 a long neck em 2014.

7) Melhor chope (nacional ou estrangeiro) à venda no Brasil
Tupiniquim/Evil Twin Extra Fancy IPA. Coincidência ou não, acho que o primeiro barril dela em SP foi aberto no Empório Alto dos Pinheiros. No dia em que o provei, havia também instalado o Ballast Point Sculpin IPA. Foi um duelo interessante. Salvo engano, a Extra Fancy leva, segundo o rótulo, aveia e trigo na composição de maltes, o que me chamou a atenção.

8) Melhor bar/brewpub cervejeiro nacional
Empório Alto dos Pinheiros.

8a) Em que local você tomou o chope mais bem tirado em 2014?
Cervejaria Nacional.

9) Melhor cerveja caseira
O equipamento já está bem mais avançado do que o panelão de 20 litros, é verdade. E a presença de um mestre-cervejeiro formado na produção torna a classificação “caseira” tema de polêmica. Mas a German Pilsner que o Rudolf Mayer, da Mayer Bier, preparou junto com o Alfredo Ferreira, do Instituto da Cerveja, ficou realmente muito boa.

10) Melhor cerveja que ainda não chegou ao Brasil
Almanac, de San Francisco. Dica do Pete Slosberg no Great American Beer Festival. Mandam bem nas Sours, em especial nas com frutas e maturação em barris de vinho. A Dogpatch Strawberry merece destaque; leva até starter de pão sourdough de San Francisco, bastante famoso por aqui.

11) Melhor blog ou site cervejeiro
Todos que acertam em um ponto que considero atualmente essencial: buscar outros públicos fora dos cervejeiros de carteirinha. Em uma das aulas por aqui, aprendi com um professor veterano de campanhas que há três tipos de eleitor: o apoiador ferrenho, o opositor ferrenho e o indeciso. Os dois primeiros não devem ser alvo de esforços em termos de propaganda, o terceiro sim. Acho que o mesmo se aplica à cerveja. No Instagram, outro dia vi o perfil Dogs on Tap, basicamente de fotos de cervejas artesanais e cachorros – um público certamente maior do que o de apreciadores de fermentadas, que verá seu objeto de adoração junto de outro que pode ter o mesmo status no futuro. Meu voto vai para ele, simbolicamente. No Brasil, dos que eu conheço, o que mais se aproximaria desse conceito é o Beer Foot Lovers, do Gil Lebre Abbade Franco.

12) Melhor design de rótulo de cerveja, nacional, importada ou caseira
Os da 21st Amendment. A arte na lata ficou muito bacana e é um dos aspectos vitais, a meu ver, para atrair o consumidor para esse tipo de vasilhame e reduzir preconceitos. Dá gosto de colocar as latinhas deles na prateleira da coleção.

13) Qual sua combinação favorita de cerveja e comida?
Queijo Gouda com uns 2 ou 3 anos de envelhecimento e uma Firestone Walker Velvet Merlin Oatmeal Stout. Segundo o Randy Mosher na aula de harmonizações na Siebel, é o mais próximo que ele conhece de um cheeseburger líquido. Quem sou eu para discordar?

14) Melhor evento cervejeiro nacional
Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau (SC). Bem bacana, mas ainda pode melhorar. Seria legal darem uma espiada na parte de harmonizações do Great American Beer Festival, o Farm to Table Pavilion, e quem sabe pensarem em uns debates como os do Mondial de la Bière no Rio.

15) Qual foi a maior novidade cervejeira de 2014 (receita, cervejaria ou técnica)?
Growlers. Algumas cervejarias começam a usar com mais constância – notadamente a Bodebrown, com seus sábados de enchimento dos vasilhames agregados a outros eventos na fábrica. Além de ter acesso à cerveja mais fresca, é ambientalmente mais correto. Que mais produtores e bares sigam o exemplo que já é rotineiro nos EUA, e também o dos taprooms – mas, por ora, só a Wäls tem, que eu me lembre.

16) Melhor fato cervejeiro
As medalhas de ouro e prata conquistadas pela Wäls na World Beer Cup. Quase levaram o título de melhor microcervejaria do ano. Acompanho a história da cervejaria desde 2006, e eles já passaram por muitos perrengues – foi bacana de ver a premiação. A responsabilidade agora é maior.

17) Pior fato cervejeiro
A eterna luta dos cervejeiros com a comunicação. Facebook não é palco para debates corporativos, acusações de traição e até renúncia – serve, no máximo, para #mimimi ao vento, e como ele foi numeroso em 2014. Enquanto isso, faltam fóruns fechados de associados, sites decentes, informações técnicas de rótulos, histórias curiosas de produção, vídeos, áudio etc.

18) Previsão cervejeira para 2015
Finalmente parece que vão tirar do papel a associação de cervejeiros artesanais de São Paulo. A dita “locomotiva da nação” empacou e viu outros Estados se agruparem e conseguirem melhorias na regra do ICMS para o setor. Os obstáculos pessoais e políticos serão grandes, mas espero que a iniciativa vingue. Ter uma entidade organizada e atuante é essencial, nesse caso particular, para exigir do governador Geraldo Alckmin (PSDB) mudanças tributárias para a cerveja artesanal paulista.

19) Para você, o que é cerveja artesanal?
Um conceito distorcido e talvez longe do ideal, mas que, no atual momento brasileiro, talvez ainda seja necessário para que as pessoas entendam que há cervejas e cervejas e, principalmente, por que existe muito mais variedade do que elas imaginavam ser as escassas opções da bebida – “gelada” e/ou “docinha”. Quem sabe um dia isso não evolua para “a cerveja de que eu gosto”?

20) Quem foi a pessoa que mais trabalhou pela cerveja brasileira em 2014?
Marcelo Carneiro da Rocha, da Colorado e presidente da Abracerva. Sim, ele tem virtudes e defeitos, como qualquer ser humano. Ainda vai aprender a duras penas como funcionam as engrenagens da política, tem de trabalhar mais a comunicação com todos os cervejeiros e ouvir mais as demandas e insatisfações deles, como ficou claro no caso da revisão do cálculo dos tributos federais incidentes sobre a cerveja. Sim, ter “colocado o cargo à disposição” no Facebook foi bastante errado, e creio que ele sabe disso. Mas ele está tentando, e isso, no atual meio cervejeiro, não é pouca coisa. Não sei qual o custo pessoal e profissional desse esforço. Também tem uma paciência incrível – escutou e leu calmamente as abobrinhas que apresentei em 2014 e ainda se explicou. Também, salvo engano, foi aclamado presidente quando da criação da entidade. Não sei se continua, mas também desconheço se há alguém mais se candidatando ao posto.

21) Que experiência própria, profissional ou pessoal, você acha que poderia ser aplicada à cerveja artesanal?
Já contei essa história mais de uma vez, mas vale pelo simbolismo. Lá pelos idos de 2004, estava eu em um debate com uma certa prefeita candidata à reeleição. Em dado momento, ela começa a protestar contra a imprensa, que dizia ser sempre “do contra” e nunca “parceira”. Um editor que estava na bancada de perguntadores responde de imediato: “A imprensa é parceira, prefeita. Parceira na crítica”. Muitos fizeram um bom papel divulgando a cerveja artesanal brasileira, mas para construir alicerces firmes, é preciso também de objetividade, crítica e pesquisa. Como jornalista, vi como bastante interessante o trabalho do Márcio Beck, do blog Dois Dedos de Colarinho. Em um mercado artesanal que mal se conhece por não saber a noção exata do seu tamanho e extensão, ele produziu relatórios sobre a quantidade de novas micros abrindo no Brasil e uma estimativa sobre o peso do setor no mercado. Também foi crítico dos dados fantasiosos e chutados para cima – divulgados não raramente na mídia. Ter dados confiáveis e bem embasados é essencial em qualquer mesa de negociação com governos – políticos reagem mais ou menos de acordo com o tamanho e grau de dano potencial que um grupo de interesse pode lhe causar. Como exemplo, a Brewers Association conta, em sua diretoria, com um especialista em economia e estatística para produzir análises de mercado, que pautam as decisões dos associados. Particularmente, seguindo a mesma lógica que enunciei acima, merece destaque também o post do Fabian Ponzi, do Bebendo Bem, sobre como as cervejarias se prepararam – ou não – para receber turistas durante a Copa.

22) É possível se sustentar trabalhando apenas com cerveja no Brasil?
Com comunicação na cerveja? Não. Mas no jornalismo a coisa também vai de mal a pior, logo…

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